França já adota radares escondidos em carros à paisana; quais as chances de ‘vingar’ no Brasil

Os motoristas franceses estão enfrentando um novo desafio nas estradas. A proliferação de radares escondidos em carros à paisana com radares de velocidade.

Esses veículos sem identificação são equipados com sofisticados sistemas de detecção e cruzam discretamente a malha rodoviária para rastrear infrações por excesso de velocidade.

Diante dessa vigilância cada vez maior, é crucial saber como identificá-los para evitar multas.

na foto aparece um dos radares escondidos em carros à paisana em carros

Motoristas estão enfrentando dificuldades com radares escondidos em carros – Foto: Reprodução/ND

Ascensão dos radares escondidos em carros à paisana na França

A segurança no trânsito se tornou uma prioridade na França. As autoridades usam radares para conter o excesso de velocidade.

Em 2025, a implementação dos radares escondidos em carros à paisana vai ser intensificada com a chegada de novas unidades nas regiões de Auvergne-Rhône-Alpes, Occitanie e Provence-Alpes-Côte d’Azur. Com essa expansão os carros que passarão a fiscalizar o trânsito chegam a 550.

Somente em 2024, foram 272 mortes no trânsito que motivaram o governo francês a reforçar seu arsenal de vigilância.

Esses radares escondidos em carros à paisana contam com sensores infravermelhos e câmeras de alto desempenho, que agora podem mostrar sinais luminosos sem que você perceba.

Sinais distintivos dos veículos de controle

Entre os modelos mais utilizados estão o Citroën Berlingo, o Peugeot 308 ou o Ford Focus. O Volkswagen Passat e o Skoda Octavia também estão entre as escolhas preferidas das autoridades.

Um outro elemento mais sutil a ser observado é a presença de uma caixa preta no painel que contém o dispositivo de radar abaixo das placas.

Para o coordenador do programa SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, a utilização dos radares portáteis ou móveis, regulamentada pela resolução 798 de 2020,  é uma “resolução criminosa”.

“Essa resolução estabelece que a utilização de radar portátil, aquele que os policiais ficam na pista e que seria equivalente ao radar móvel instalado nos veículos, precisam ser sinalizada”.

Ele indica que nos casos de rodovias, os estudos que sinalizam a presença do equipamento com o agente de trânsito precisam estar, inclusive, disponíveis no site da Polícia Rodoviária Federal.

“É mais ou menos como se você colocasse um estudo dizendo onde pode ter policiamento para flagrar infratores ou criminosos, que você indicasse no site da polícia em que locais a polícia poderá estar presente, que a polícia tivesse que estar visível com uma plaquinha e inclusive dizendo: Estamos aqui”.

na foto aparece um dos radares escondidos em carros à paisana no meio das estradas brasileiras

Radares de velocidade média estão sendo testados em território brasileiro – Foto: Pixabay/ND

Coordenador do SOS Estradas é a favor de teste parecido no Brasil

Segundo Rizzotto, a resolução de radares escondidos em carros à paisana começou na França como uma experiência e foi implantada em definitivo e opina sobre o caso.

“Acho que nós deveríamos implantar isso com veículos não identificados, assim como utilizar drones e todos os meios possíveis para identificar quem não respeita a legislação de trânsito e punir com o máximo rigor, porque quando punimos com rigor, estamos contribuindo para reduzir o número de mortos e feridos no trânsito brasileiro nas estradas”.

O coordenador do SOS Estradas entende que a implementação da estratégia de colocar radares escondidos em carros à paisana seria viável e importante. “Precisamos parar com essa conversa de educação. Quem tem uma habilitação sabe que tem que respeitar as normas, se não respeita as normas, tem que ser punido. E infelizmente se pune muito pouco no Brasil”.

Tendência de aumento da fiscalização

Rizzotto acredita que a tendência no Brasil seja aumentar a fiscalização por meio de radares escondidos em carros à paisana. “Temos tido uma tendência de impunidade, de aumentar o número de pontos, de determinar a identificação do equipamento e aí vem sempre a história da indústria da multa”.

Ele cita a fábrica de infratores que está sendo estimulada via redes sociais. “Veja a quantidade de jovens postando vídeos, cometendo crimes, infrações de trânsito, sendo remunerados pelas plataformas e tornando celebridades, em alguns casos, admitindo ganhos superiores superiores a R$ 200 mil por mês com crimes e infrações de trânsito”.

na foto aparece um dos radares escondidos em carros à paisana flagrando um caminhão

Radares flagram limite de velocidade em estradas – Foto: Freepik/ND

“Essa campanha de deseducação e a impunidade garantida e financiada, inclusive, pelas plataformas direta ou indiretamente, Youtube de Instagram, e isso contribui para que a situação fique cada vez mais fora de controle”, continua.

Rever a legislação e criar mecanismos de controle

Para Rodolfo Rizzotto, é preciso rever a legislação e criar mecanismos para que haja um controle maior na fiscalização. Ele cita países como Espanha e Itália que utilizam de mecanismos para fiscalizar o limite de velocidade.

“Na Espanha, eles conseguiram desenvolver equipamentos e radares que flagram o veículo depois que ele passou. Os policiais ficam escondidos no mato e pegam pela traseira do veículo a velocidade que ele está praticando”. Há também o uso de helicópteros, o uso de drones”.

“Hoje tem também o sistema Tudor italiano que existe em várias estradas da Itália, onde você passa num ponto, quando você passar num outro ponto, ele vai identificar se você fez acima da média do limite de velocidade”, pontua.

Rizzotto ressalta que esse mecanismo “serve para trechos de rodovias fechadas, o que no Brasil é mais complicado, mesmo nas rodovias concedidas, tem um monte de saídas”.

O coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, recomenda respeito às leis de trânsito porque “as pessoas não têm noção”. Ele cita um exemplo e uma consequência grave após um acidente.

“Se você tiver andando 80 km/h e você identificar à noite uma carreta tombada na pista, você vai parar exatamente na frente da carreta. Se você tiver 110 km/h, você vai bater a mais de 70 km/h na carreta. As consequências são gravíssimas. É, e depois que você mata ou morre, não adianta resolver o problema. Não tem solução para morte”.

Ele pede punição a quem não respeitar as leis de trânsito: “Ninguém é obrigado a andar em excesso de velocidade. Andou em excesso de velocidade, tem que ser punido, não é que pode ser punido, deveria ser punido”.

“A gente precisa definir que povo somos e no trânsito você vê o reflexo exatamente do povo brasileiro. No trânsito é exatamente isso, eu quero a punição para os outros, agora só porque ele foi multado por excesso de velocidade, ele é uma grande vítima da sociedade, um perseguido da indústria da multa”, finaliza.

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