Rivais históricos: por que Cuba, Rússia e Coreia do Norte ficaram de fora do tarifaço de Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, na quarta-feira (2), um pacote de tarifas sobre diversos países, incluindo aliados e rivais comerciais. O ‘tarifaço de Trump’ tem como objetivo sobretaxar nações que, segundo a Casa Branca, prejudicam a economia americana com práticas desleais. Alguns países, no entanto, ficaram de fora do pacote econômico, chamado de “Liberation Day”.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Donald Trump anunciou tarifas para diversos países, incluindo o Brasil, na última quarta-feira (2) – Foto: Mark Schiefelbein/AP

Entre as nações, que historicamente possuem uma relação tensa com os Estados Unidos e que não foram incluídas no tarifaço de Trump, estão Cuba, Rússia e Coreia do Norte. A exclusão se deve a fatores como a falta de um comércio significativo com os Estados Unidos e a existência de sanções econômicas já aplicadas.

Rússia

A Rússia foi deixada de fora do tarifaço porque suas relações comerciais com os EUA já foram fortemente impactadas pelas sanções impostas após a invasão da Ucrânia em 2022. Segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, a exclusão se deve ao fato de que a Rússia “não possui comércio significativo” com os Estados Unidos.

Os dados reforçam essa explicação. Em 2023, o comércio de bens entre os dois países foi de US$ 3,5 bilhões, uma queda drástica em comparação aos US$ 36 bilhões registrados em 2021, um ano antes do início do conflito. Apesar disso, os EUA ainda negociam mais com a Rússia do que com pequenos países incluídos no tarifaço, como as Ilhas Maurício e o Brunei.

As sanções já aplicadas à Rússia restringem transações financeiras, exportações tecnológicas e importações de ouro e diamantes. Além disso, há bloqueios específicos contra bancos russos, oligarcas e setores estratégicos, incluindo o de energia.

Moeda em real e nota de dólar em alusão à alta após retaliação da China ao tarifaço de Trump

Valor do dólar fechou em alta na sexta-feira (4) após retaliação da China ao tarifaço de Trump – Foto: Deny Campos/Arte/ND

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou à Fox News que o comércio entre os dois países “foi efetivamente interrompido” e que novas tarifas teriam impacto limitado.

Coreia do Norte

A Coreia do Norte não foi incluída no tarifaço de Trump porque, assim como a Rússia, não possui relações significativas em termos comerciais com os Estados Unidos. O país já está sujeito a sanções severas, impostas tanto por Washington quanto por organismos internacionais devido ao seu programa nuclear.

Em 2017, ainda no primeiro mandato de Trump, os EUA classificaram a Coreia do Norte como um “estado patrocinador do terrorismo” e impuseram sanções contra empresas e entidades norte-coreanas e chinesas que mantinham negócios com Pyongyang. No ano seguinte, Trump ampliou as restrições, aplicando sanções a 56 empresas do país asiático.

Apesar de algumas tentativas de aproximação entre Washington e Pyongyang, como a cúpula entre Trump e Kim Jong-un em 2018, não houve avanços concretos na relação bilateral. Em 2020, a Coreia do Norte anunciou que não estava mais comprometida em interromper seus testes de mísseis e armas nucleares, aprofundando o isolamento do país.

O comércio entre os dois países é praticamente inexistente. Em 2023, os EUA exportaram cerca de US$ 183 milhões para a Coreia do Norte, mas os produtos enviados consistiam basicamente em vacinas, produtos agrícolas e polímeros.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump

Tarifaço de Trump afetou negativamente a economia mundial – Foto: Reprodução/X/@WhiteHouse

Além disso, o regime norte-coreano adota uma política de autossuficiência econômica e depende fortemente da China para suas importações. Essas características tornariam novas tarifas comerciais irrelevantes.

Cuba

Cuba também ficou de fora do tarifaço de Trump devido ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas. O bloqueio comercial, iniciado na década de 1960, abrange seis leis diferentes e diversas regulamentações que restringem ou proíbem o comércio entre os dois países.

Durante seu primeiro mandato, Trump endureceu ainda mais as restrições ao adicionar 243 novas medidas contra Cuba. Em 2021, protestos eclodiram na ilha, com manifestantes exigindo alimentos, remédios e vacinas. Na época, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel declarou que a única solução seria a suspensão das medidas impostas pelos EUA.

O tarifaço de Trump também inclui limitações à exportação e importação de diversos produtos, além de restrições a transações financeiras internacionais. Embora haja um fluxo comercial mínimo entre os dois países, ele é fortemente regulamentado.

Geraldo Alckmin e Lula, vice-presidente e presidente do Brasil

Governo federal lamentou decisão de Trump em aplicar taxas sobre produtos brasileiros – Foto: José Cruz/Agência Brasil

Segundo a Casa Branca, as penalidades atuais já são suficientes para impedir uma relação comercial robusta com Cuba, tornando desnecessária a inclusão do país no tarifaço de Trump.

Outros países também ficaram de fora do ‘tarifaço’ de Trump

Além de Cuba, Rússia e Coreia do Norte, outras nações não foram incluídas nas novas tarifas, como México e Canadá. No caso dos vizinhos dos EUA, as razões foram diferentes: ambos já estão sujeitos a tarifas de até 25% sobre diversos produtos devido a acordos comerciais pré-existentes.

O tarifaço de Trump mira, principalmente, países com grande superávit comercial com os Estados Unidos e que não estão sob embargos ou sanções severas.

*Com informações do R7.

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