Apreensões de cocaína por polícias estaduais triplicam no Acre em três anos, diz estudo


Total de entorpecentes apreendidos por forças federais aumentou mais de cinco vezes no mesmo período. Em 2022, quantidade apreendida no estado foi a quinta maior na Amazônia Legal, segundo análise do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Instituto Mãe Crioula. Apreensões de cocaína por polícias estaduais triplicaram no Acre entre 2019 e 2022
Arquivo/Gefron
O Acre, especialmente em municípios de fronteira com Peru e Bolívia, é rota já estabelecida do tráfico de drogas. E essa realidade pode ser constatada pelo volume de entorpecentes apreendidos pelas forças policiais no estado, como aponta o relatório Cartografias da Violência, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e Instituto Mãe Crioula e divulgado nessa quinta-feira (30), baseado em dados das secretarias de Segurança Pública de nove estados da Amazônia Legal.
De acordo com o estudo, as apreensões de cocaína pelas polícias estaduais triplicaram no Acre nos últimos quatro anos, saindo de 254 quilos em 2019 para 748 ano passado. As apreensões chegaram a apresentar redução entre 2020 e 2021, mas deu um salto em 2022.
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A variação de 194% foi a quinta maior da região no período, e o total registrado em 2022 também foi o quinto na Amazônia Legal. Ao todo, as apreensões chegaram a 2,1 toneladas no período analisado.
Dados analisados pelo estudo foram repassados pelas secretarias de Segurança Pública de nove estados da Amazônia Legal
Reprodução/Cartografias da Violência na Amazônia
“Existem ao menos duas hipóteses para o crescimento das apreensões de cocaína na região: por um lado, pode-se argumentar que as polícias locais estão mais eficientes e focadas no esforço de apreensão de drogas e outros ilícitos e, sob esta perspectiva, o crescimento das apreensões seria resultado de maior produtividade das polícias Civis e Militares dos nove estados da região. A segunda hipótese é de que, de fato, a circulação de drogas tenha aumentado na região”, pondera a análise.
Por outro lado, as apreensões de maconha tiveram queda de 30% no mesmo período, considerando as polícias estaduais. Em 2019, foram 583,7 quilos apreendidos no Acre, e o índice começou a cair a partir desse ano.
Em 2020, o total apreendido foi reduzido para 325 quilos, e chegou a subir para 423 quilos em 2021. Porém, em 2022, voltou a cair, chegando a 405,5 quilos.
Forças federais
O estudo considera ainda as apreensões feitas pelas forças federais, que também registraram aumento. Somente o total recolhido pela Polícia Federal (PF) cresceu cerca de 5,6 vezes entre 2019 e 2022, saindo de 468,8 quilos para mais de 2,6 mil.
Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) acumulou um crescimento de 5,7 vezes nas apreensões de cocaína. Em 2019, foram 359,9 quilos apreendidos, enquanto em 2022 chegou a pouco mais de duas toneladas.
Quanto às apreensões de maconha, a PF registrou uma grande oscilação entre os anos analisados. Em 2019, foram 147 quilos, subindo para 802 quilos em 2020. Porém, em 2021, o total caiu para 176,6 quilos, e deu um salto para 812,5 quilos no ano passado.
No caso da PRF, a situação foi diferente. Entre 2019 e 2022, as apreensões de maconha aumentaram em 18 vezes, saindo de 14,8 quilos para 269,4 quilos.
Confrontos por território
O relatório mostrou que o Acre teve aumento no número de mortes violentas intencionais entre 2021 e 2022, saindo de 194 para 237 casos, o que representou um crescimento de 22% no período. Com isso, a taxa de mortes a cada 100 mil habitantes chegou a 28,6 no ano passado, acima da média nacional, que foi de 23,3 mortes.
O levantamento considera que a violência na região é impulsionada por confrontos entre facções criminosas que disputam territórios do tráfico de drogas, especialmente em áreas de fronteira. Além do tráfico de entorpecentes, outros fatores que influem nas estatísticas de violência, de acordo com a pesquisa, são migração internacional, tráfico de armas, pesca ilegal e biopirataria.
“Nos últimos 3 anos, a região vem experimentando novamente a escalada da violência, especialmente a partir da expansão das facções de base prisional. A região foi palco de crimes bárbaros, como a morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, que ocorreu na região da Tríplice Fronteira Brasil-Peru-Colômbia. Esta área conta com intensa presença de facções”, diz a publicação.
O estudo verificou que o Acre tem 13 municípios com territórios sendo disputados por facções criminosas, e outros cinco com espaços sob controle de uma organização.
Os municípios que estão em disputa no estado, segundo análise, são Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Brasiléia, Assis Brasil, Epitaciolândia, Bujari, Jordão, Feijó, Mâncio Lima, Marechal Thaumaturgo, Sena Madureira, Senador Guiomard e Plácido Castro.
“O processo de expansão e consolidação das facções criminosas na Amazônia Legal está diretamente vinculado às dinâmicas de funcionamento do sistema prisional. No Brasil, já está consolidada na literatura especializada a relação intrínseca entre as prisões e a criminalidade organizada. Sabe-se, portanto, que o Estado possui uma participação que não pode ser desprezada na estruturação desses grupos, sobretudo na medida em que as prisões foram os primeiros espaços de negociações que levaram à organização dos presos em grupos”, ressalta o texto.
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