Passageiro chileno que afirmou estar com ‘bomba’ em voo causando fechamento de aeroporto no PR é absolvido pela Justiça


Passageiro foi preso, mas para JF-PR ficou claro que ‘bomba’ que ele se referia era, na verdade, embalagem de coxinhas chamadas de ‘bomba salgada’ no país de origem dele. Caso foi registrado em 2023. Aeroporto de Foz do Iguaçu é fechado por ameaça de bomba; um passageiro foi preso
Polícia Federal/Foz do Iguaçu
Um passageiro chileno que afirmou estar com uma “bomba” em um voo prestes a decolar em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, causando o fechamento temporário do aeroporto internacional da cidade, foi absolvido pela Justiça Federal do Paraná.
O caso foi registrado em junho de 2023. A Polícia Federal (PF) apurou na época que durante a acomodação dos passageiros no voo, uma aeromoça pediu para que ele guardasse objeto que estava segurando. Neste momento, ele informou que se tratava de uma bomba, segundo a PF.
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A aeronave chegou a ser evacuada para inspeção e o homem foi preso em flagrante por suposto risco. Pousos e decolagens também foram suspensos, causando atrasos e reprogramação de voos. No dia seguinte, a PF informou que a suposta “bomba” era, na verdade, uma embalagem com coxinhas.
A decisão
Na decisão que absolveu o homem, de identidade não revelada, a juíza federal substituta Elizangela de Paula Pereira, da 5ª Vara Federal de Foz do Iguaçu, afirma que testemunhas ouvidas no processo “foram uníssonas em afirmar que é comum da cultura do Chile utilizar a expressão ‘bomba de carne’ para se referir a um salgado de aparência redonda e que contém carne em seu interior”.
Ela argumentou ainda que ao ouvir testemunhas que estavam no voo, que ficou claro que não houve intenção do passageiro de prejudicar o voo.
“A ausência de tumulto ou pânico dos passageiros, mesmo com a menção da palavra “bomba” pelo acusado evidencia a ausência de dolo na conduta, pois não houve a tentativa de obstar o tráfego aéreo”, justifica a magistrada.
Para a Justiça, o chileno afirmou que por duas vezes mencionou “bombas salgadas” para uma colega que o acompanhava na aeronave. A defesa do chileno sustentou que ele não poderia imaginar que a afirmação pudesse causar todo o transtorno ocorrido.
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Chileno perdeu trabalho após episódio
Na decisão, a juíza afirma que as falas do chileno deixaram claro “a ausência de consciência e vontade na prática do delito”.
Ela também pontuou que os “efeitos severos” do caso, como a prisão e pagamento de fiança de R$ 10 mil causaram a demissão do chileno, que estava em Foz do Iguaçu `trabalho.
“[As alegações] deixaram claras os efeitos severos que o episódio causou na sua vida profissional, principalmente com a perda do emprego que justamente ensejou a viagem a esta Tríplice Fronteira, o que demonstra que o acusado já sofre com as consequências sociais do ocorrido”, diz trecho da decisão.
além da absolvição no caso, a juíza definiu que chileno deverá ter o valor de R$ 10 mil, pago como fiança, devolvido.
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