‘Carnaval de Pernambuco está mais que vivo’, celebra Alceu Valença, exaltando novos talentos da música pernambucana


Cantor e compositor conversou com o g1, falou da infância e de suas influências, e comemorou o sucesso do bloco Bicho Maluco Beleza, que arrastou multidão no Recife e em São Paulo. Alceu Valença canta com Elba Ramalho no primeiro ano do bloco Bicho Maluco Beleza no Recife
Alceu Valença levou uma multidão ao bloco Bicho Maluco Beleza, no Recife no último domingo (23), mostrando a importância e a admiração que o público local dedica a ele e à sua obra. Em entrevista ao g1, o pernambucano de São Bento do Una, no Agreste de Pernambuco, falou sobre o sucesso da prévia carnavalesca, revelou a sensação de trazer o bloco para a capital e reforçou a importância de prestigiar o carnaval local.
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“O Bicho Maluco Beleza foi uma prova de que o carnaval de Pernambuco tá mais do que vivo. Você via criança no colo dos pais, você tinha todo mundo lá, cantando. Pernambuco tem que levantar a cabeça e ter orgulho” , afirmou.
Aos 78 anos, o cantor e compositor, um dos mais prestigiados do país, relembrou as referências que teve na infância morando no Recife e as influências pernambucanas que passou a conhecer devido às manifestações culturais realizadas na área central da cidade.
“É um prazer e uma honra para mim, que sou de São Bento do Una. Vim morar aqui aos sete anos, na Rua dos Palmares, perto da Visconde de Suassuna. Muitas manifestações carnavalescas passaram por ali. Ficava assistindo lá de casa ao povo passar. Eram os blocos dos caboclinhos, maracatus, blocos líricos e orquestras de frevo que iam para o centro do Recife” , lembrou.
Alceu traduziu suas experiências em suas composições, alcançando diversos públicos ao longo da carreira e levando a cultura pernambucana para diferentes países. Apesar da experiência, o artista ainda se impressiona com o alcance de suas músicas.
“Adquiri essa cultura carnavalesca de maneira absolutamente natural e isso se refletiu na minha música. Há um fenômeno que ninguém explica, nem eu e nem ninguém, que é o viral [músicas que somam diversas reproduções e compartilhamentos]. O meu viral tem sido de uma maneira que não consigo entender. ‘La Belle de Jour’ e ‘Girassol’ estão com milhões de acessos no Youtube”, contou.
Com a agenda preenchida durante o carnaval, Alceu inicia a agenda de apresentações ainda na quinta-feira (27), na abertura do carnaval de Olinda. Na sexta, será a vez do Recife, com o show do projeto Grande Encontro, no qual se junta a Elba Ramalho e a Geraldo Azevedo, no palco do Marco Zero.
Diante da variedade de atrações que se apresentam nos palcos do carnaval de Pernambuco, Alceu ressaltou a participação de novos artistas se destacando na cena musical e reforçou a importância de exaltar o legado da cultura local.
“O que eu gosto muito é da originalidade do carnaval de Pernambuco. Não vou ter preconceito com artistas que tocam outro tipo de música. Agora, no carnaval, é necessário priorizar a nossa música carnavalesca porque a gente tem esse legado. Belo Horizonte está fazendo o carnaval deles, mas eles não têm tradição. Então, fica justificável que eles coloquem o samba, um rock, até um rap, funk, tá explicado, mas a gente não”, enfatizou.
Alceu Valença no Bicho Maluco Beleza, animou multidão na Rua da Aurora, no Centro do Recife, neste domingo (23)
Reprodução/TV Globo
Para além das referências, o pernambucano também ressaltou a importância de dar oportunidade às novas gerações de artistas, unindo os mais experientes e os mais jovens.
Um dos exemplos aconteceu no domingo (23), durante o bloco Bicho Maluco Beleza, quando Alceu recebeu como convidados como Juba, Madu, Martins e Elba Ramalho, homenageada do carnaval do Recife em 2025.
“Eu primo em dar oportunidades para pessoas que vejo que têm uma relação com a nossa cultura. Madu é pernambucana, canta forró, frevo, dança frevo. Coisa que muita gente daqui deixou [de tocar] para poder imitar outras coisas. Juba canta frevo pra caramba, tem dentro da alma dele o frevo desde criança. Martins também tem essa vertente. Almério cantou Diabo Loiro maravilhosamente. Nem todo mundo tem essa pegada porque às vezes as pessoas vão por outro canto. Não tenho nada contra, mas quando vai para um outro canto, não representa a sua cultura”, analisou.
Para Alceu, a nova geração tem potencial de fazer o frevo conquistar novos espaços e aumentar o alcance de público. “Essa geração de Juba, de Madu, de Almério, de Martins e de outros, que nunca tiveram vergonha de suas origens e sempre cantaram o inconsciente coletivo do povo pernambucano”, finalizou.
Multidão se espremeu para ver Alceu Valença em estreia do bloco Bicho Maluco Beleza no Recife
Reprodução/TV Globo
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