Ex-presidente da Caixa se compara a Daniel Alves

O ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro GuimarãesAgência Brasil

O ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, que em 2023 virou réu por assédio sexual e moral depois que a Justiça Federal de Brasília aceitou denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra ele, se manifestou nas redes sociais na última semana a respeito do caso do ex-jogador Daniel Alves, fazendo uma comparação entre os dois casos.

O jogador, que em fevereiro do ano passado foi julgado e condenado por agressão sexual contra uma mulher de 23 anos, em uma boate, em Barcelona, na Espanha, teve agora sua condenação anulada pelo Tribunal Superior de Justiça da Catalunha (TSJC) espanhol.

A justificativa foi que o depoimento da jovem não seria “suficiente para manter a condenação do réu” e que “neste caso, prevalece o direito à presunção de inocência”.

Em 2023, ele também fez um post nas redes sociais se comparando com o ator americano Kevin Spacey — inocentado de acusações de abuso sexual pela Justiça do Reino Unido.

No seu Instagram, semana passada, Guimarães destacou a notícia da anulação da condenação de Daniel Alves publicada no jornal espanhol El País.

“O Daniel Alves foi absolvido, por unanimidade, da acusação que acabou com a sua carreira, destruiu a sua família e mudou, para sempre, a sua vida. Como a “imprensa” brasileira praticamente ignorou o assunto, com tratamento totalmente diferente de quando ele foi acusado e preso, tive que buscar na Espanha uma notícia minimamente neutra”, diz.

Ainda na postagem, Guimarães diz que não foi o primeiro caso, e não será o último.

“…Até o homem provar que é inocente, ele e sua família, já foram humilhados, julgados pela sociedade e destruídos. … Neste tipo, em específico, basta a acusação, mesmo sem nenhuma prova, para a vida do acusado e de seus familiares, serem destruídas”, finaliza.

A denúncia de Guimarães

Em junho de 2022, no governo do então presidente Jair Bolsonaro, surgiram denúncias em série de casos de assédio sexual e moral durante a gestão de Pedro Guimarães na Caixa. Imediatamente após a divulgação dos relatos, o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Trabalho passaram a investigar os casos. Além do então presidente, vice-presidentes e diretores foram acusados.

Guimarães pediu demissão no dia seguinte à publicação das denúncias.

Em março de 2023, ele virou réu por denúncias de assédio sexual e moral feitas por funcionárias da Caixa. Guimarães sempre negou as acusações.

 Os crimes teriam sido cometidos contra funcionárias do banco estatal. Os detalhes da denúncia ainda não são conhecidos, pois a ação penal contra Guimarães tramita sob sigilo.

A defesa de Guimarães sempre afirmou que o executivo “jamais praticou crimes e que a verdade viria à tona”.

Em abril de 2023, a Caixa fechou um acordo com o Ministério Público do Trabalho do Distrito Federal para pagar uma indenização de R$ 10 milhões para encerrar a denúncia das funcionárias.

Em 2024, pouco mais de dois anos do escândalo de assédio sexual e moral envolvendo a gestão de Guimarães vir a público, a Caixa foi condenada em ao menos quatro processos e assinou dois acordos no âmbito trabalhista que, somados, chegaram a R$ 14 milhões de indenizações.

Enquanto as indenizações avançaram na esfera trabalhista, as mulheres que acusam Pedro Guimarães de assédio sexual aguardam o andamento do processo criminal.

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