Onça-parda atropelada em rodovia de SC terá restos mortais usados em pesquisa científica

Uma onça-parda atropelada na SC-415, em Massaranduba, no Norte de Santa Catarina, terá seus restos mortais analisados pelos pesquisadores da FURB (Universidade Regional de Blumenau) para estudos científicos.

A imagem mostra a onça-parda atropelada em Massaranduba

Onça-parda morreu ao atravessar SC-415 e ser atingida por carro em Massaranduba – Foto: Reprodução/Internet/ND

O corpo do animal – também conhecido como leão-baio ou puma – foi adicionado à Coleção Zoológica da universidade e será usado em pesquisas acadêmicas para estudar suas características, hábitos e estilo de vida.

O professor que atua como curador da coleção zoológica da FURB, Sérgio Luiz Althoff, explica que a onça-parda atropelada era um macho jovem.

Segundo o professor, o corpo passou por algumas horas de exposição ao sol e altas temperaturas, o que deu início em um processo de inchaço e putrefação interna. Apesar disso, pesquisadores já coletaram material genético, conteúdo digestivo, órgãos, ossos e até carrapatos.

Onça-parda atropelada na SC-415

A onça-parda morreu após ser atropelada na SC-415, em Massaranduba. O acidente aconteceu na noite de 23 de março, mas o animal foi encontrado na manhã seguinte.

Em um vídeo que circulou na internet, um dos ocupantes do veículo diz que a batida aconteceu enquanto sua equipe – que atua em um cemitério – voltava de um treinamento, na rodovia que liga Massaranduba a Barra Velha.


Colisão aconteceu na noite de domingo (23) – Vídeo: Reprodução/Internet/ND

Onça-parda na lista de animais vulneráveis

A espécie da onça-parda atropelada é protegida pelo Cenap (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros), com o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Grandes Felinos, que tem como objetivo reduzir a vulnerabilidade do animal no Brasil.

Em 2012, foi iniciado o plano de Ação Nacional para a Conservação da Onça-Parda. O plano tinha o objetivo de ampliar a proteção dos habitats adequados, o conhecimento aplicado à conservação dos ecossistemas e espécies e de reduzir conflitos com os humanos, especialmente nos biomas Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Caatinga.

Ele foi encerrado em 2016, com 31% de suas ações concluídas e outras 20% ainda em execução. Com o término desse plano, a espécie Puma concolor foi integrada ao Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Grandes Felinos (PAN Grandes Felinos), coordenado pelo CENAP, em 2018.

Atualmente, a onça-parda é classificada pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) como uma espécie “Menos preocupante” e pelo ICMBio-MMA como “Vulnerável”.

Características da espécie

A onça-parda, também conhecida como puma ou leão-baio, é um grande felino de comportamento solitário e habilidades impressionantes.

Apesar do porte robusto, é mais próxima, do ponto de vista evolutivo, do jaguarundi, um pequeno felino de comprimento variável, entre 1,5 a 2,75 metros, e peso entre 22 e 70 quilos.

A imagem mostra uma onça-parda

Onça-parda é protegido pelo Ministério – Foto: Freepik/ND

A coloração do pelo vai de marrom-acinzentado à marrom-avermelhado, com manchas mais claras na barriga.

Os filhotes nascem com pelagem clara e manchas escuras que desaparecem ao longo do primeiro ano de vida. Embora haja relatos de onças-pardas pretas, não há registros confirmados de melanismo na espécie.

Diferente de felinos como a onça-pintada, a onça-parda não emite rugidos, mas miados, e suas patas traseiras são proporcionalmente maiores, garantindo saltos impressionantes, alta velocidade em curtas distâncias e habilidade para escalar árvores com facilidade.

Presente em todos os biomas brasileiros, a onça-parda é encontrada em florestas, na caatinga, campos e até áreas agrícolas.

Seu território pode ultrapassar 160 km² em regiões fragmentadas, que são aquelas áreas onde o habitat natural foi dividido em porções menores e isoladas, geralmente devido a atividades humanas.

Predominantemente noturna, pode ser avistada ao entardecer ou em outras horas do dia. A gestação dura de 82 a 98 dias, podendo chegar em até seis filhotes por ninhada.

Ágil, adaptável e essencial para o equilíbrio ecológico, a onça-parda é um símbolo da diversidade e resistência da fauna brasileira.

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