Senado dos EUA controlado por republicanos avança com cortes de impostos de Trump

O Capitólio dos Estados Unidos, em Washington, no dia 4 de abril de 2025DREW ANGERER

Drew ANGERER

Os senadores americanos aprovaram neste sábado (5) um projeto orçamentário que contempla cortes abrangentes de impostos prometidos pelo presidente Donald Trump, apesar das intensas disputas internas entre a maioria republicana sobre qual será a redução realizada.

No final da noite de ontem, os legisladores votaram por 51 a 48 para aprovar a resolução, com dois republicanos proeminentes contrários à medida.

O texto agora segue para a Câmara dos Representantes, onde os republicanos possuem uma pequena maioria e os setores mais conservadores do ponto de vista fiscal criticam a versão do Senado.

A votação ocorreu no momento em que as tarifas impostas por Trump a seus parceiros comerciais provocaram uma queda global nos mercados de ações. Os democratas argumentam que agora não é o momento de contemplar uma redução significativa dos gastos públicos.

O presidente americano anunciou uma tarifa mínima de 10% sobre a maioria dos produtos que entram nos Estados Unidos, e outras taxações dependendo do país.

“O imposto tarifário do presidente Trump é uma das coisas mais estúpidas que ele já fez como presidente”, disse o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, segundo a CNN.

Schumer apresentou uma emenda contra as tarifas do magnata, mas ela não recebeu apoio suficiente para ser aprovada.

Os senadores republicanos Susan Collins, do Maine, e Rand Paul, do Kentucky, se juntaram aos democratas para fazer oposição ao projeto proposto.

Mas quase todos os membros do Partido Republicano apoiaram o presidente.

Trump “quer equilibrar o orçamento e reduzir nossa dívida. Eu concordo”, disse o senador Bill Cassidy, da Louisiana, em um breve comunicado.

– Gastos e cortes –

Os republicanos do Senado e da Câmara estão em desacordo sobre a extensão do corte de gastos, com os legisladores preocupados com a agitação social devido a uma redução sem precedentes da burocracia federal liderada por Elon Musk, o bilionário fundador da Tesla e conselheiro próximo de Trump.

Enquanto os senadores querem uma modesta economia de US$ 4 bilhões (R$ 23 bilhões, na cotação atual), os membros da Câmara buscam cortar US$ 1,5 trilhão (R$ 8,6 trilhões).

Ambas as casas devem adotar versões idênticas do projeto orçamentário – uma tarefa que se mostrou fora de alcance durante meses de negociações tensas – antes de poderem redigir o maciço projeto de lei de Trump que visa ampliar os cortes de impostos do primeiro mandato e aumentar a segurança nas fronteiras e a produção de energia.

“Esta resolução é o primeiro passo para um projeto de lei final para tornar permanentes os cortes de impostos que implementamos em 2017 e fazer um investimento transformador em nossa segurança fronteiriça, nacional e energética, tudo acompanhado de economias substanciais”, disse o líder republicano no Senado, John Thune.

– O problema da dívida –

O plano ainda precisa da aprovação da Câmara dos Representantes, cujos líderes republicanos querem levá-lo à mesa de Trump antes que o Congresso inicie o recesso de Páscoa de duas semanas na próxima sexta-feira.

Os democratas criticaram duramente o projeto por trazer grandes cortes adicionais aos serviços essenciais.

A proposta aumentaria o limite da dívida do país em US$ 5 trilhões (R$ 29 trilhões) para evitar um calote da mesma neste verão, e adiaria outro aumento até depois das eleições legislativas de 2026.

Especialistas afirmam que os cortes de impostos – que ampliariam significativamente as reduções de 2017 – poderiam acrescentar mais de US$ 5 trilhões à dívida nacional na próxima década.

O libertário Cato Institute classificou a resolução como um “desastre fiscal” que “piora a trajetória da dívida” dos Estados Unidos.

Trump, que vem divulgando o plano nas redes sociais, ofereceu seu “apoio total e completo” ao texto durante um evento na Casa Branca na quarta-feira.

O congressista republicano Ralph Norman, da Carolina do Sul, resumiu aos repórteres: “Para mim (o texto) está morto antes de chegar” à Câmara dos Representantes.

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