Acre tem maior taxa de partos prematuros do país, aponta pesquisa


Levantamento da Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros aponta que, entre 2017 e 2021, 14,2% dos nascimentos no estado foram prematuros. Atualmente, maternidade da capital atende 11 pacientes prematuros. Acre tem taxa de 14,2% de partos prematuros, a maior do país, segundo pesquisa
Reprodução/Rede Amazônica
Uma pesquisa aponta que o Acre tem a maior taxa de partos prematuros do país entre 2017 e 2021, com 14,2% dos nascimentos nesta condição. O levantamento é da Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês (ONG Prematuridade), com base em dados do sistema DataSUS.
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O número coloca o estado à frente de Roraima (13,98%), Amapá (13,82%), Rio Grande do Norte (12,79%), e Rio Grande do Sul (12,04%).
“A intenção da pesquisa foi trazer luz à problemática do parto prematuro e inspirar mudanças. É preciso que estados e municípios busquem identificar as principais causas de prematuridade nas suas populações para então focar em estratégias de enfrentamento”, diz Denise Suguitani, diretora executiva da ONG.
Ainda conforme a pesquisa, o período marcou um aumento no número de partos prematuros no país, subindo de 10,95% em 2017 para 11,57% em 2021. A ONG ressalta que o Brasil está entre os 10 países com mais partos prematuros no mundo, com uma média de 340 mil por ano, o que significa que, a cada dez minutos, seis bebês nascem antes da hora, segundo o Ministério da Saúde.
A pesquisa é uma das ações da campanha Novembro Roxo, que visa sensibilizar sobre a prematuridade, e também inclui palestras, caminhadas, ações em hospitais e outros eventos, especialmente no dia 17 de novembro, data que marca o Dia Mundial da Prematuridade. Este ano, a campanha tem como tema “Pequenas ações, GRANDE IMPACTO: contato pele a pele imediato para todos os bebês, em todos os lugares”.
“Estudos têm demonstrado que prematuros extremos, os mais vulneráveis, são ainda mais beneficiados por esse contato quando feito de forma precoce”, acrescenta a ONG.
Superlotação
Luana Tavares é mãe de Brayan, que nasceu com 30 semanas de gestação, e diz que o que mais espera é poder levar o filho para casa
Reprodução/Rede Amazônica Acre
A pediatra e coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco, Socorro Avelino, ressalta que as unidades neonatais estão superlotadas, o que reflete esse alto índice do estado. Além disso, segundo a coordenadora, a situação se agravou após a pandemia, já que muitas gestações foram adiadas durante o período de maior contágio pela Covid-19.
Socorro cita ainda uma série de fatores que afetam os partos mais delicados. Ela cita a importância do pré-natal, além da conscientização sobre gravidez na adolescência.
“Outra causa que também tem se identificado é o problema do acesso dessa gestante ao pré-natal. Com o acompanhamento, você consegue identificar várias causas que podem induzir o nascimento prematuro, como problemas que existem no colo uterino, que pode dilatar e essa criança nascer mais precocemente. No pré-natal, é feita essa identificação e pode ser corrigida através de um procedimento. O outro problema também que se observa muito é a gravidez na adolescência, que tem aumentado muito, que são gestações não planejadas, e muitas vezes já descobrem ou revelam para a família de forma tardia, onde uma infecção urinária, algo assim, pode induzir esse nascimento prematuro”, destaca a pediatra.
A Saúde estadual também tem programação da campanha Novembro Roxo, com sensibilização sobre a prematuridade e qualificação de profissionais.
De acordo com Socorro, a maternidade atende, atualmente, 11 pacientes prematuros. Um desses casos é o da autônoma Luana Tavares, mãe do pequeno Brayan, que nasceu com 30 semanas de gestação, e está internado há um mês.
“Não é fácil passar por todo esse processo de chegar até aqui. Todo dia, a gente tem uma notícia boa e uma ruim, mas a gente vai com fé, que vai dar tudo certo. A esperança é levá-lo para casa, a esperança é a última que morre. A gente queria mais, estar com ele, amamentar no peito, mas, por enquanto é isso, e a gente se contenta com pouco”, diz a mãe.
A pediatra ressalta fatores externos que prejudicam a saúde tanto de gestantes quanto de crianças, como tabagismo e consumo de álcool.
“Além do pré-natal, que permite descobrir alguma complicação que possa induzir a esse parto, também ela [gestante] precisa evitar certos costumes como tabagismo, uso de álcool. Por exemplo, não há nível seguro de álcool na gestação, e, infelizmente, é pouco divulgado isso. Isso pode trazer consequências maléficas para o feto. Então, a grávida não pode ingerir bebida alcoólica. Infelizmente a gente se depara diariamente com anamnese, com esse tipo de costume. Agora, um pré-natal, uma gravidez planejada pode sinceramente reduzir muito essas taxas”.
Colaborou Ana Paula Xavier, da Rede Amazônica Acre.
Maternidade da capital atende 11 pacientes prematuros atualmente
Reprodução/Rede Amazônica Acre
VÍDEOS: g1

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