Cidades do Acre têm mais motos que carros, aponta levantamento


Marechal Thaumaturgo (84,46%), Porto Walter (83,04%) e Santa Rosa do Purus (77,82%) predominam o registro de motos. Na capital Rio Branco, 47,29% dos veículos é de moto. Moto é o veículo mais usados nas cidades do Acre
Ivo Neto
Em todas as 22 cidades do Acre, moto é o veículo mais registrado. Os dados são de um levantamento da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) feito a pedido do g1. No país, uma em cada três cidades brasileiras tem mais motos registradas do que qualquer outro tipo de veículo motorizado.
O Acre é o estado da região Norte onde o número de registro de motos é superior ao de carros em todos os municípios. As cidades de Marechal Thaumaturgo (84,46%), Porto Walter (83,04%) e Santa Rosa do Purus (77,82%) predominam o registro de motocicletas. Na capital Rio Branco, 47,29% dos veículos são motos. Veja o ranking completo abaixo
Além de carros e motos, os dados da Senatran consideram também caminhonetes, caminhões e outros tipos de veículos.
As motos são ainda mais populares no Norte do país. Na região, 8 em cada 10 cidades têm mais motos registradas do que carros ou qualquer outro veículo. No Nordeste, 7 em cada 10 motos.
Veja abaixo as cidades do Acre com maior porcentagem de registro de motos:
Marechal Thaumaturgo – 84,46%
Porto Walter – 83,04%
Santa Rosa do Purus – 77,82%
Rodrigues Alves – 77,2%
Jordão – 75,29%
Tarauacá – 74,16%
Feijó – 72,71%
Mâncio Lima – 70,23%
Sena Madureira – 69,35%
Xapuri – 69,22%
Assis Brasil – 69,12%
Cruzeiro do Sul – 65,43%
Manoel Urbano – 61,76%
Porto Acre – 58,99%
Acrelândia – 55,65%
Plácido de Castro – 55,49%
Capixaba – 54,01%
Brasiléia – 51,24%
Bujari – 48,98%
Rio Branco – 47,29%
Senador Guiomard – 47,6%
Epitaciolândia – 46,61%
Explosão de motos desde 2003
O número de motos registradas no Brasil cresceu mais de 5 vezes nos últimos 20 anos: de 5,7 milhões de veículos em 2003, saltou para 21,9 milhões em 2013 e para 32,3 milhões em 2023 (até setembro).
A quantidade de carros também subiu, mas em um ritmo menor. De 26,6 milhões para 76,3 milhões – quase triplicou.
Essa diferença fez com que as motos passassem de 16% da frota de veículos automotores (em 2003) para quase 28% (em 2023).
Veja a evolução da frota de veículos no Brasil
Kayan Albertin e Vitoria Coelho/g1
Em números absolutos, porém, o Brasil continua a ter mais carros do que motos: 64% da frota brasileira ainda é de quatro rodas.
Com a orientação de especialistas, o g1 considerou como “carros” os veículos que estavam registrados no banco de dados como “Automóvel”, “Caminhonete”, “Caminhoneta” e “Utilitário”.
Os registros “Motocicleta”, “Motoneta”, “Ciclomotor” e “Triciclo” foram considerados como “motos”.
Para especialistas ouvidos pelo g1, três fatores estão por trás do aumento da proporção de motos na frota brasileira
COMPRAR MOTO SAI MAIS BARATO – o pesquisador do Instituto de Pesquisa Avançada (Ipea) Rafael Pereira afirma que aumento da renda nas últimas décadas criou o contexto ideal para a compra de motos. “A população de classe baixa quer sair do transporte público e tem duas opções: ou compra carro ou compra moto. Como a moto é mais barata, acaba sendo mais atraente para uma parcela dessa população”, disse.
CARRO POPULAR SUMIU – analista do setor e ex-diretor de montadoras como Ford e Volkswagen, Flavio Padovan ressalta que o preço dos carros subiu e o carro popular “sumiu” do mercado. “Nós já chegamos a ter 3,5 milhões de veículos vendidos [carros comerciais leves] por ano, e hoje estamos rodando em 2 milhões. Ou seja, 1,5 milhão de consumidores sumiram”, afirmou ele. De acordo com a Bright Consulting, de 2016 até agora o preço médio dos veículos vendidos no brasil subiu de R$ 19 mil em 2016 para R$ 138,6 mil em 2023.
PLATAFORMAS DIGITAIS – aplicativos de entrega também são citados como um dos responsáveis pelo atual cenário. “Principalmente durante e após a pandemia [de Covid-19], notamos um aumento significativo do licenciamento de motos, principalmente devido aos serviços de logística de last mile [etapa final, em que produto é entregue ao cliente] e entregas de comida e pequenos objetos”, avalia Paulo Miguel Júnior, conselheiro gestor da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (ABLA).
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