Mais de 27 mil pessoas estão fora de casa em todo o estado, dentre desabrigados e desalojados, segundo a última atualização feita pelo governo do estado nesta quarta-feira (6). A capital Rio Branco e outras quatro cidades ainda registram transbordamentos. Imagem de São Sebastião após vazante do Rio Acre em Xapuri
Kécia Melo/Arquivo pessoal
Em meio à emergência por conta da cheia de rios e igarapés em 19 cidades do Acre, nove delas estão abaixo da cota de transbordo segundo boletim publicado pelo governo do estado nesta quarta-feira (6). São seis municípios banhados pelo Rio Acre e outros quatro cortados por outros rios.
Outras cinco cidades que constam no levantamento, incluindo a capital Rio Branco, ainda registram transbordamentos.
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Brasiléia, município que teve sua maior enchente ao alcançar a marca de 15,58 metros, na medição das 6h desta quarta, o nível já reduziu para 6,11 metros. Em Xapuri, onde o Rio Acre alcançou 17,07 metros, também há grande redução, com 9,23 metros.
Municípios abaixo da cota de transbordo no AC
Contexto: Pelo menos 27.919 pessoas estão fora de casa em todo o estado, dentre desabrigados e desalojados, segundo a última atualização feita pelo governo do estado nesta quarta. Além disso, 19 das 22 cidades acreanas estão em situação de emergência por conta do transbordo de rios e igarapés. Ao menos 23 comunidades indígenas no interior do Acre também sofrem com os efeitos das enchentes e quatro pessoas já morreram em decorrência da cheia.
Apesar do início de redução das águas em diversos pontos do estado, os rios e igarapés ainda preocupam. Em Rio Branco, o nível oscilou nas últimas 24 horas, chegou a ter redução de dois centímetros e a alcançar a marca de 17,84 metros. Porém, às 9h desta quarta, subiu para 17,89 metros.
Na segunda maior cidade do estado, Cruzeiro do Sul, o Rio Juruá continua subindo, e marcou 13,92 metros às 6h desta quarta. Na medição das 9h, houve uma subida de um centímetro e o nível chegou a 13,93 metros, quase um metro acima da cota de transbordo. Pelo menos 20 famílias estão abrigadas em escolas do município.
Quatro mil pessoas estão desalojadas por causa das cheias dos rios no Acre
Cheia na capital
Rio Branco continua acima dos 17 metros e segue próximo da maior cota histórica já registrada, que é de 18,40 metros em 2015. Essa já é a segunda maior cheia da história, desde que a medição começou a ser feita, em 1971.
Em 2024, já são 48 bairros e 18 comunidades rurais atingidos pela cheia em Rio Branco, e mais de 4 mil pessoas precisaram deixar suas casas segundo a prefeitura da capital, com dados desta quarta (6). A Energisa, companhia responsável pela distribuição de energia elétrica no Acre, já são mais de sete mil imóveis com fornecimento suspenso.
Enchentes no Acre começaram em Assis Brasil na segunda quinzena de fevereiro
Arte/g1
Poucos meses separam o ápice de uma seca severa e a chegada de enchentes devastadoras no Acre. Para entender as crises sucessivas que levaram emergência para o estado é preciso considerar ao menos três fatores:
a influência do El Niño
o atraso do “inverno amazônico”, como é conhecida a estação chuvosa na região
o impacto do aquecimento do Oceano Atlântico
Atualmente, o manancial está a seis dias acima dos 17 metros. A primeira vez que o Rio Acre alcançou a marca histórica foi em 29 de fevereiro (veja abaixo a evolução do nível do rio).
‘Cenário desastroso’ em Brasiléia
Após a cheia, Brasiléia tem cenário de destruição
Divulgação prefeitura de Brasiléia
Após o Rio Acre atingir a marca histórica de 15,58 metros na cidade de Brasiléia, no interior do Acre, os moradores do município atingidos pela enchente ainda não têm previsão para voltarem para suas casas. A prefeitura da cidade informou que é necessário a liberação da Defesa Civil Municipal para que os moradores possam retornar às suas residências.
De acordo com a prefeita de Brasiléia, Fernanda Hassem, muitos moradores estão indo até suas casas para limpar, porém retornando para o abrigo. “A Defesa Civil não recomendou a volta pra casa, não teve aquela operação volta pra casa, entende? Porque é muito prejuízo, muitas casas destruídas”, explicou.
A gestora também explica que está impossibilitado a volta das famílias para casa por falta de acesso às ruas. “A cidade está destruída. Não tem acesso nem nas ruas, desmoronou e tá cheio de entulho. Mas uma força-tarefa já foi montada e deve começar hoje a limpeza geral da cidade”, disse.
Segundo o coordenador da sala de crise de Brasiléia, subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros do Acre, coronel Eden Santos, o impacto da cheia foi violento para os moradores da cidade.
“Nós estamos fazendo todos os levantamentos, levantando todos os impactos nas ruas, nos órgãos públicos, tudo está sendo feito, então a tarefa ainda é muito grande para poder voltar pra casa, a gente percebe muitas pessoas chegando, muitas pessoas fazendo limpeza, mas assim, retorno para casa vai requerer um certo tempo pra poder deixar numa condição satisfatória, porque o cenário aqui é desastroso”, disse.
Lama, lixo e entulhos estão sendo retirados das ruas de Brasiléia
Asscom/ Prefeitura de Brasiléia
Vistorias em Xapuri
A Defesa Civil do município de Xapuri, no interior do Acre, em conjunto com o Corpo de Bombeiros, fizeram vistorias em sete bairros de áreas que foram afetadas pela cheia na região, para verificar se os atingidos já podem retornar às suas residências. As visitas ocorreram nessa terça-feira (5) na cidade, após as águas do Rio Acre baixarem na cidade.
O nível do manancial em Xapuri chegou a 17,07 metros. A enchente deixou mais de 200 pessoas desabrigadas e outras 545 desalojadas na região, ou seja, em casas de parentes e amigos. A prefeitura da cidade montou sete abrigos para instalar os moradores que não tinham para onde ir.
Pontos comerciais e casas estão com lamas após vazante do Rio Acre em Xapuri
Defesa Civil de Xapuri
O órgão no município afirmou ainda que as pessoas que não estão em área de risco já receberam autorização para retornar às residências. O coordenador Josué Pereira da Silva explica que uma equipe de engenheiros também está acompanhando as vistorias. Ele disse afirma ainda que estão aproveitando as vistorias para levar insumos aos moradores da cidade, distribuindo cestas básicas e kits de limpeza.
“A gente está nesse momento fazendo uma vistoria junto com bombeiros, uma equipe de engenheiros e mais a defesa civil nas residências que ficam em área de risco, para saber se as pessoas podem retornar para os seus imóveis ou não”, disse.
Os moradores que não vivem em área de risco e já podem retornar às residências, estão sendo levadas de volta pela Defesa Civil.
“A gente está devolvendo essas famílias para suas residências, aquelas que não têm risco de desmoronamento, desarmamento, está tudo ok, a gente está fazendo a devolução. O rio já está abaixo da cota de alerta, já está na casa de uns 9 metros, então assim, está naquela correria, mas graças a Deus o pior já passou”, avalia.
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