Com mais de 17 metros, Rio Acre deixa mais de 2 mil desabrigados e invade Calçadão da Gameleira na capital


Calçadão da Gameleira já foi tomado pelas águas nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (1º). Nível do manancial subiu 18 centímetros entre medição das 18h de quinta (29) e às 6h de sexta. Governo Federal reconheceu situação de emergência em 17 municípios no último domingo (25). Rio Acre já chegou a atingir a região do Calçadão da Gameleira, no Segundo Distrito de Rio Branco
Richard Lauriano/Rede Amazônica
O nível do Rio Acre subiu 18 centímetros nas últimas 12 horas em Rio Branco e chegou, às 6h desta sexta-feira (1º), à marca de 17,22 metros, atingindo o Calçadão da Gameleira, ponto turístico histórico da capital acreana. O manancial chegou à marca dos 17 metros na medição feita às 15h de quinta (29). Esta é a sétima vez, desde 1971, que o rio chega a este volume desde 1971.
Na medição mais atual, feita às 9h, a Defesa Civil da capital registrou um aumento de seis centímetros em 3h e alcançou 17,28 metros.
O manancial segue acima de 16 metros desde o dia 26 de fevereiro e já deixa mais de 2,2 mil pessoas fora de casa em Rio Branco, segundo atualização da Defesa Civil Municipal nesta sexta. O maior nível já registrado foi de 18,40 metros em 2015.
O Acre enfrenta uma cheia histórica em 2024. Em todo o estado, pelo menos 23.087 pessoas estão fora de casa, dentre desabrigados e desalojados, segundo a última atualização nesta sexta-feira (01). Além disso, 17 das 22 cidades acreanas estão em situação de emergência por conta do transbordo de rios e igarapés. Ao menos 23 comunidades indígenas no interior do Acre também sofrem com os efeitos das enchentes e quatro pessoas já morreram em decorrência da cheia.
São 1.339 pessoas desabrigadas e pelo menos 954 pessoas desalojadas somente na capital, conforme o boletim emitido pelo governo do Acre nesta sexta.
Somente nos abrigos mantidos pela prefeitura de Rio Branco, no Parque de Exposições e escolas, são mais de 900 pessoas, segundo a Defesa Civil Municipal. São 312 famílias, totalizando 936 pessoas, de acordo com levantamento feito às 9h de quarta. No total, são 1.377 pessoas em abrigos. O g1 aguarda atualização deste quantitativo.
Acre decreta situação de emergência em 17 das 22 cidades acreanas por conta da cheia dos rios no estado
g1
Dezessete municípios do Acre estão em emergência por causa da cheia de rios e igarapés. Do total, 7.998 estão desabrigadas e 15.089 desalojadas, segundo o governo do estado. Municípios como Santa Rosa do Purus, Jordão, Assis Brasil, Marechal Thaumaturgo, Plácido de Castro e Tarauacá, estão sem atualização no quantitativo atual no boletim divulgado pelo governo.
O decreto reconhecendo da situação consta no Diário Oficial da União (DOU), de domingo (25). A medida também havia sido publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado (DOE).
Situação no interior
O nível do rio Acre continua subindo em algumas cidades, porém em Brasiléia o nível do rio continua baixando nesta sexta-feira (1º). Neste ano, a enchente provocou o isolamento do município por via terrestre, já que a ponte que liga à cidade a Epitaciolândia, teve que ser interditada no último domingo (25), por conta dos riscos de as águas invadirem a ponte. Isto ocorreu nesta terça-feira, quando o manancial alcançou os 15 metros no município.
Em Brasiléia, o rio está com 12,89 metros às 6h50 desta sexta, baixando a cada medição, de acordo com a Defesa Civil do município. Na última medição às 18h do dia anterior, o rio Acre estava com 14,09 metros, que já era menor do que a medição das 6h30 de quinta-feira (29), que foi de 15,18 metros.
Nesta sexta, o rio ainda está com mais de 1 metro acima da cota de transbordo do município, que é de 11,40 metros. Segundo o boletim divulgado pela governo do Acre, na cidade há 1.276 desabrigados e 2.220 pessoas desalojadas. 12 bairros foram atingidos pela enchente e 16 abrigos foram disponibilizados à população.
Nível do rio em Brasiléia já está bem menor, e chão da praça já volta a aparecer
Asscom/Prefeitura de Brasiléia
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Em Epitaciolândia, há 1.754 pessoas desabrigadas na cidade. Já o número de pessoas desalojadas é de 2.150 pessoas. Seis bairros foram atingidos pela enchente e 11 abrigos foram organizados para receber os desabrigados. O nível do rio é o mesmo de Brasiléia.
Já na cidade de Xapuri, o rio apresenta 17,02 metros às 6h desta sexta, com mais de três metros acima da cota de transbordo, que é de 13,40 metros. Na última medição às 18h de quinta, o rio estava com 16,71 metros. Atualmente, 166 pessoas estão desabrigadas e 505 pessoas desalojadas em sete bairros atingidos. Na cidade há sete abrigos para atender os desabrigados.
Casa Chico Mendes foi tomada pelas águas do Rio Acre em Xapuri
Jorge Alves/Arquivo pessoal
Previsão do tempo
A previsão do tempo para esta sexta-feira (1º), de acordo com os dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), a corrente de vento em altos níveis da atmosfera está favorecendo a organização de áreas de instabilidade sobre todo o Acre e continuará atuando na região.
A previsão é de céu nublado a encoberto com chuva a qualquer hora do dia nas cidades do oeste acreano. Já na capital e demais regiões do estado, a previsão é de sol entre nuvens, com pancadas de chuva e trovoadas entre a tarde e a noite. Há possibilidade de grandes volumes de chuva em todo o estado.
VÍDEOS: g1

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